Resultados obtidos por meio de avaliação, revelam a deterioração da microbacia do Córrego da Saudade, afluente do Rio Uberaba. Foram analisados os fatores social (FS), econômico (FE), tecnológico (FT) e ambiental (FA).
A deterioração do fator social calculada foi de 47, 4%, valor elevado, pois, de acordo com metodologia adapta por Rocha (977), o valor aceitável para determinação é de 10%. Para cálculo da FS, salubridade e habitação foram os itens que mais contribuíram par o valor obtido . Na variável habitação observou-se que as casas são de alvenaria, predominando o uso do fogão de lenha. A água é extraída do poço freático. Para a variável demográfica constatou-se que os moradores são provenientes das cidades próximas, sendo que o grau de instrução do chefe da família não ultrapassa o ensino fundamental. Veja detalhes em Mais Informações
A maioria dos funcionários utiliza fossa séptica distante do córrego, porém em algumas delas foi observado esgoto a céu aberto. O lixo doméstico, em sua maior parte, é queimado, porém encontram-se embalagens de agrotóxicos jogadas na microbacia com frequencia.
Co realação 'a variável salubridade observou-se que as condições de vida são precárias ns propriedades.
A deterioração do fator econômico (FE) calculada foi de 82,6%, considerada elevada e revela a dificuldade enfrentada pelo produtor rural em administrar a propriedade. Dentre as variáveis analisadas, na produção constatou-se que a exploração principal é de gado bovino de dupla aptidão (carne e leite), com produtividade de média a baixa, além de aves e suínos para consumo próprio. No trabalho diário são utilizados cavalos e burros para lidar com o gado, sendo que a ordenha é feita manualmente e as pastagens estão em estagio avançado de degradação. Com relação à variável comercialização, crédito e rendimento, contatou-se que toda a produção é vendida para cooperativas e agroindústrias, e todos os produtores evitam utilizar crédito externo. A renda da propriedade situa-se na faixa de um a cinco salários mínimos. Estudos em outras microbacias da APA do rio Uberaba apresentaram o mesmo tipo de exploração agropecuária (CUNHA et al., 2007; TORRES et al., 2007),
provavelmente devido ao pequeno tamanho das propriedades, todos com baixa produtividade, porém FS e FE inferiores, entretanto, nestas áreas as rendas familiares são melhores. A deterioração do fator tecnológico (FT) calculada foi de 55,8%. Foram levantadas a variável tecnologia, maquinaria e industrialização. Este fator apresentou um valor intermediário, devido principalmente ao tipo de atividade econômica da área que é a criação de gado bovino de corte e leite, porém a assistência técnica na região é precária. Na maioria das propriedades é o proprietário que está à frente da produção, sendo que apenas uma área estava arrendada. Nesta propriedade arrendada observou-se que os cuidados com relação ao meio ambiente são menores, pois foram observados vários conflitos de uso da terra próximo da foz do córrego, com presença de erosões e esgoto a céu aberto, além de pastagens mal conservadas. Segobia e Dahdah (2007) em estudo na microbacia do córrego Cocal, também na APA do rio Uberaba, observaram situação semelhante, onde os cuidados com preservação ambiental nas áreas arrendadas são precários, inclusive tem ocorrido desmatamento em área de mata ciliar com frequência. Os produtores não industrializam seus produtos, pois entregam o leite diretamente nas cooperativas e comercializam o gado para os frigoríficos da região. Para o cálculo da deterioração do fator socioeconômico (FSE) utilizam-se os índices FS + FE + FT, obtendo-se um valor de 53,5%. Este valor revela uma deterioração intermediária, porém percebe-se a ocorrência de limitações nas condições de vida do pequeno produtor e demais elementos da população. Com dados obtidos pode-se afirmar que os valores de 82,61 e 55,88% da FE e FT, respectivamente, foram os que mais contribuíram para a deterioração socioeconômica da microbacia, com isso, observasse que mais da metade da área pesquisada se encontra em processo de deterioração. Este valor está acima do valor aceitável (10%) proposto na metodologia (ROCHA, 1997). CUNHA et al. (2007) detectaram deteriorações para os fatores FS, FE, FT e FSE menores que 50% na microbacia do córrego Limo, localizada na mesma APA, mostrando que existe grande variação para estes índices na região. A deterioração do fator ambiental (FA) calculado foi de 20,8%, que é um valor baixo. Este valor talvez esteja relacionado ao fato de não haver indústrias e garimpos instalados na região, além da exploração da pecuária de corte e de leite ser rústica. Em algumas propriedades foram observados vários problemas de erosão, principalmente causados pelos trilheiros dos gados para dessedentação no córrego, sendo que isto ocorre principalmente na propriedade arrendada, devido principalmente a existência de pastagens degradadas. Pereira e Lima (2006) em estudo semelhante na bacia do córrego dos Bambus, em Grupiara-MG, também detectaram uma porcentagem expressiva de solo descoberto, elevado grau de erosão, ausência de mata ciliar, assoreamento de rios, dentre outros, porém, com os valores oficiais divulgados estando abaixo do observado na área. O curral para trabalhos com os bovinos estão muito próximos do córrego, onde na época da chuva escoam resíduos para o leito do rio.
Também foi constatada a presença de pocilgas e criatórios de aves, que poluem os mananciais com seus efluentes, ocasionando mau cheiro e presença de moscas. Além disso, ainda ocorrem desmatamentos em toda a área e drenagem em áreas de preservação, dentre outros.
Comparando os índices obtidos para deterioração, pode-se destacar que o fator econômico é o mais preocupante na região da APA, devido à baixa renda do produto e a conseqüência deste sobre os outros índices (Figura 4), mesmo assim, todas as deteriorações calculadas estão longe do limite tolerável proposto por Rocha (1997). O índice obtido para FA de 20,8% não reflete a real situação da área estudada, pois a deterioração parece ser maior do que o calculado. Talvez este fato venha comprovar que a metodologia utilizada, ainda não está adequada para a nossa região, conforme também destacado por FRANCO et al. (2005) em seu estudo, onde observou valores elevados de deterioração social (62,7%), econômico (78,0%), tecnológico (62,9%) e socioeconômico (67,8%), entretanto, constatou o valor observado para deterioração ambiental (9,1%) não reflete o observado

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