A capacidade de produção será 1,5 MW, suficiente para abastecer 1.000 residências simultaneamente, quando a usina geradora de energia estiver em pleno funcionamento. O investimento da empresa Araúna Energia e Gestão Ambiental, vencedora da licitação, é de R$ 10 milhões.
A prefeitura não terá custos, apenas lucros com o novo empreendimento: 18% do total que a empresa arrecadar com a venda da energia e com os Créditos de Carbono - espécie de moeda ambiental - irão para os cofres públicos. De acordo com a secretaria de Meio Ambiente, a energia lançada na rede será vendida para CPFL. O lucro será destinado ao Fundo Municipal do Meio Ambiente. O secretário municipal de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares, explica que, no aterro, são produzidos dois elementos prejudiciais ao meio ambiente: o chorume - líquido com alta carga poluidora de cheiro muito forte -, que é tratado e destinado à ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) da Sabesp, e o biogás - produzido a partir da decomposição anaeróbica - sem presença de oxigênio - do lixo, e composto basicamente por metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), nitrogênio (N2), hidrogênio (H2), oxigênio (O2) e gás sulfídrico (H2S). A concentração de metano é elevada, varia entre 30% e 60%, dependendo do tipo de substância orgânica, da quantidade e do tempo que ela está em decomposição. “Quanto maior for o aterro e mais tempo ele estiver sendo operado, maior será a produção de biogás”, destaca o engenheiro eletricista José Geraldo Arantes, mestre em Engenharia da Energia pela Unifei. No aterro sanitário de Franca, o biogás é lançado à atmosfera por meio de drenos e queimado para minimizar os efeitos de seu lançamento. A queima do biogás transforma o metano em dióxido de carbono e vapor d’água - o que purifica o ar, pois o metano polui menos que o dióxido de carbono. De acordo com Arantes, a energia desperdiçada por meio da queima do biogás poderá ser aproveitada para gerar energia elétrica, através de um conjunto motor gerador de combustão interna desenvolvido para trabalhar utilizando biogás. “A eficiência energética é de 30%, pouco menos que as usinas termoelétricas a carvão, que têm eficiência média de 35%, e a óleo combustível de 45%”. PRODUÇÃO DE ENERGIA A partir do funcionamento da usina geradora de energia no aterro, a captação do biogás será forçada por meio de sucção. Depois, o biogás passará por um processo de pré-filtragem, em seguida sendo encaminhado para a geração -por meio do motor gerador - e distribuído na rede de energia elétrica. O gás excedente será queimado. “Essa preocupação evita danos ou riscos à saúde pública e à segurança, além de minimizar os impactos ambientais”, afirma Arantes. A Araúna Energia e Gestão Ambiental poderá explorar o aterro de Franca por um prazo determinado de dez anos - tempo da concessão estipulada pelo contrato assinado com a Prefeitura, que pode ser renovado pelo mesmo período. A partir da instalação da usina de energia, a poluição do ar será reduzida, uma vez que 1.200m³ de metano deixarão de ser emitidos por hora na atmosfera. Quando estiver em pleno funcionamento, a usina terá capacidade de produção de 1,5 MW. O engenheiro José Geraldo Arantes ressalta que um levantamento recente estimou que o lixo das 300 maiores cidades brasileiras poderia produzir 15% da energia total produzida no país - cerca de 16.000 MW -, o que contribuiria para aumentar a oferta e diversificação da matriz elétrica brasileira. “A geração de energia por meio da utilização do biogás de aterros se enquadra assim nos quesitos de desenvolvimento sustentável, visto que deixaria de ser lançada na atmosfera grande quantidade de metano, agregando ganho ambiental e redução de custos”. O gerente da divisão de apoio ao controle de fontes de poluição da Cetesb (Agência Ambiental do Estado de São Paulo), Cristiano Kenji Iwai, afirma que, no Estado de São Paulo, apenas dois aterros sanitários fazem o aproveitamento energético e a geração de Créditos de Carbono. O Aterro Sanitário “Professor Ivan Vieira” será o terceiro a desempenhar funções ambientais, energéticas e financeiras. Instalado há sete anos, tem vida útil de mais 15 anos, e é modelo para toda região. Nos dois últimos anos recebeu nota máxima em avaliação da Agência Ambiental. Para iniciar as atividades de geração de energia no aterro de Franca, será necessária uma licença ambiental, que demora no mínimo 120 dias. De acordo com o diretor regional da Cetesb de Franca - órgão responsável pelo licenciamento -, Francisco Setti, a solicitação ainda não foi protocolada. Fonte: www.gcn.net.br

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